Cachorros podem detectar doença de Parkinson com 90% de precisão, diz estudo

Cães de estimação cheiram a doença de Parkinson com quase 90% de precisão | Foto: Petr Jilek | Shutterstock / Portal EdiCase

Cães de estimação de raças diversas podem detectar a doença de Parkinson com até 90% de precisão pelo olfato, revelou um estudo. Anteriormente, já se descobriu que os cachorros — cujo olfato pode ser até 100.000 vezes mais apurado que o dos humanos — detectam cheiros relacionados a certos tipos de câncer, à covid-19 e à malária.

No caso do Parkinson, isto pode ocorrer porque pessoas com a doença possuem centenas de substâncias químicas únicas em seu sebo, a substância oleosa que hidrata a pele. Como a condição não possui teste definido, cientistas avaliaram a possibilidade de essas substâncias serem usadas para auxiliar no diagnóstico.

Para as demais doenças, os estudos geralmente utilizavam labradores e cães pastores para a detecção. Agora, os pesquisadores Lisa Holt e Samuel Johnston, da instituição de caridade PADs for Parkinson, nos Estados Unidos, buscaram uma nova abordagem.

Eles recrutaram 23 cães de estimação de 16 raças que já foram utilizadas para detectar diversas condições médicas, bem como aquelas que geralmente não são criadas para esse propósito, como Pomerânias e Mastins Ingleses.

Como foi feito o estudo?

Quarenta e três pessoas diagnosticadas com doença de Parkinson e 31 voluntários sem condições médicas conhecidas forneceram amostras de sebo por meio de camisetas usadas durante a noite ou de amostras da parte superior das costas.

Cada cão foi submetido a um programa de treinamento com duração de pelo menos oito meses. Eles foram treinados para se comunicar quando identificavam uma amostra de Parkinson: sentando-se, latindo, batendo a pata ou balançando o nariz.

Após o treinamento, os animais foram expostos a amostras de sebo que não haviam encontrado anteriormente. Seus proprietários não sabiam se as amostras eram de alguém com ou sem Parkinson.

No geral, os cães identificaram as amostras de alguém com doença de Parkinson com 86% de precisão, em média, e não responderam às amostras dos voluntários saudáveis 89% das vezes.

Os testes do programa de treinamento continuam na Escola Nacional de Veterinária de Alfort, na França, diz Holt. “Uma vez realizado o treino, seria possível testar se os cães conseguem identificar a doença de Parkinson numa fase muito mais precoce, quando o conjunto completo de sintomas ainda não está presente”, disse em entrevista à New Scientist.

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